altímetro do sonho
0,0 km · 720 m
percepção 100%
Le Bourg-d'Oisans, 7h40 da manhã
l'étape du tour de france · 19 de julho de 2026

A montanha vai
derreter antes de você.

170 km · 5.400 m de escalada · Michele Spolador · 53 kg contra os Alpes
role para começar a subir ↓
km 0 · le bourg-d'oisans · 720 m

Sete e quarenta da manhã. O ar ainda é sólido.

Quatro colossos esperam: Croix de Fer, Télégraphe, Galibier, Sarenne. Três deles são hors catégorie — além de qualquer categoria, além de qualquer lógica.

Nesta altitude a física ainda obedece. Guarde essa sensação. Ela não vai durar.

km 38 · croix de fer · 2.067 m · hc

A cruz de ferro cobra 3h45 de pedágio.

Trinta quilômetros de subida com duas falsas trégua — descidas curtas que devolvem metros só para tomá-los de volta. No seu ritmo real de ~424 m/h de escalada, o topo chega às 11h25.

Estratégia: 100–108 W, nunca acima. Cada watt gasto aqui será cobrado com juros no Galibier.

km 80 · st-jean-de-maurienne · 550 m

O vale é uma miragem de facilidade.

Quarenta e dois quilômetros descendo e rolando — 12h55 no relógio. Pare vinte minutos. Coma comida de verdade: arroz, sanduíche, sal. O corpo ainda aceita sólidos aqui embaixo; lá em cima, não vai mais.

Reabasteça as duas garrafas com eletrólitos. A tarde inteira será vertical.

km 92 · télégraphe · 1.566 m

O telégrafo transmite uma única mensagem: ainda não acabou.

Doze quilômetros a ~7%. Topo às 15h30. A descida até Valloire é curta demais para descansar — cinco quilômetros, doze minutos, e o Galibier já começa.

Em Valloire (15h42): cafeína, 100 mg. Você vai precisar dela onde o ar acaba.

km 115 · galibier · 2.642 m · hc · o teto da prova

Hora oito. Aqui o tempo escorre da moldura.

Dezoito quilômetros desde Valloire. O topo — 2.642 m, às 18h57 — chega depois de onze horas de prova. Você nunca pedalou sete horas seguidas. O Galibier começa exatamente onde o seu mapa do conhecido termina.

Acima de 2.000 m o apetite desaparece e a percepção dobra as bordas do mundo. Gel a cada 30 minutos, mesmo sem fome. Principalmente sem fome.

km 145 · mizoën · 1.100 m

Trinta quilômetros de queda até um vilarejo que talvez exista.

Descida longa pelo Lautaret — cautelosa, como você gosta: ~28 km/h, chegada às 20h02. Última parada, quinze minutos. Sólido leve, mais 50 mg de cafeína.

Resta um colosso. O mais estranho de todos.

km 161 · col de sarenne · 1.999 m · hc · lado leste

A Sarenne é o sonho dentro do sonho.

Treze quilômetros selvagens, sem multidão, sem sombra, com 5.000 m de escalada já nas pernas. Ritmo honesto de fadiga profunda: ~345 m/h, topo às 22h52.

E então… a prova revela seu segredo.

o segredo da edição 2026

As 21 curvas.
Você não vai subi-las.

Alpe d'Huez — o altar do ciclismo, os 21 hairpins, os nomes dos campeões pintados no asfalto — fica abaixo de você. A chegada é por cima: nove quilômetros descendo o balcão estreito da Sarenne, uma varanda de pedra suspensa sobre o vazio, até entrar na estação a 1.798 m.

O espaço se dobra: você termina a subida mais famosa do mundo descendo. Chegada estimada: 23h22 — se a organização deixar o sonho durar até lá.

telemetria real · strava · últimos 90 dias

Os três treinos que preveem o futuro

forma atual

S2 x São Roque

04 · jul · 2026
  • distância 82 km
  • escalada 900 m
  • tempo 3h29
  • potência 108 W
  • fc média 142 bpm

A base aeróbica está afiada — 23,6 km/h com clima de prova.

preditor-chave

Subidinhas no quintal

04 · jun · 2026
  • distância 45 km
  • escalada 1.008 m
  • tempo 2h23
  • potência 110 W
  • ritmo vertical 424 m/h

424 m/h é o número que governa toda a matemática desta prova.

resistência

Giro x Campos do Jordão

02 · mai · 2026
  • distância 77 km
  • escalada 1.716 m
  • tempo 4h10
  • potência 96 W
  • velocidade 18,5 km/h

Mostra a queda natural de potência em dias longos: −11% após 4 h.

o eletrocardiograma dos alpes

170 km, quatro picos de febre

plano de prova · cenário mais provável

O relógio da longa jornada

Largada 7h40 · pausas em St-Jean (20 min) e Mizoën (15 min) · fadiga acumulada incluída

11:25
Croix de Fer · km 382.067 m · seção a 10,1 km/h · 3h45 de subida
12:55
St-Jean-de-Maurienne · km 80550 m · vale a 28 km/h · pausa 20 min · comida sólida
15:30
Télégraphe · km 921.566 m · 5,3 km/h · cafeína 100 mg em Valloire (15h42)
18:57
Galibier · km 1152.642 m · 5,5 km/h · hora 11 de prova · gel a cada 30 min
20:02
Mizoën · km 1451.100 m · descida a 28 km/h · pausa 15 min · cafeína 50 mg
22:52
Col de Sarenne · km 1611.999 m · 6,2 km/h · fadiga profunda (~345 m/h)
23:22
Alpe d'Huez · km 170 · por cima1.798 m · balcão da Sarenne, 9 km cautelosos
tempo central

15h40 ± 30 min

Matemática validada trecho a trecho com os seus números reais. Mas a variância verdadeira de um dia de 15 horas é maior do que qualquer intervalo — clima, estômago e sorte também pedalam.

O alerta honesto: o maior risco não é a Sarenne — são as barreiras horárias. L'Étape historicamente fecha o percurso em 11–13 horas; no ritmo atual de 2,05 W/kg, o corte provavelmente chega em Valloire, antes do Galibier. E o Galibier começa na hora 8 — além da sua pedalada mais longa da vida.

O caminho: elevar a potência sustentada para ~2,4 W/kg (127 W) até julho encurta o dia em ~2h30 e coloca os cortes ao alcance. Ou abraçar o plano B: a versão curta da prova, e guardar a dobra da Sarenne para um dia só de vocês, sem relógio.