S2 x São Roque
- distância 82 km
- escalada 900 m
- tempo 3h29
- potência 108 W
- fc média 142 bpm
A base aeróbica está afiada — 23,6 km/h com clima de prova.
Quatro colossos e quatro barreiras horárias esperam. Este plano é a planilha do que a prova exige — não do que os treinos garantem. Por isso ele tem portões de decisão: horários-limite em que vocês escolhem, juntos e sem drama, entre continuar no relógio ou trocar para o plano B.
Regra de ouro: nenhum portão perdido é derrota. É só o sonho mudando de forma.
Trinta quilômetros de subida com duas falsas trégua. O relógio exige ~620 m/h — algo como 150–155 W sustentados, muito acima dos 108–110 W dos seus treinos. Se as pernas do dia entregarem, o topo chega às 10h30.
Decisão no topo: depois de 10h40, o 11h45 já não existe — ativa-se o plano B: pedalar juntos, no ritmo dela, até onde a barreira permitir.
Quarenta e dois quilômetros a 29 km/h — Afranio na frente, Michele colada na roda: o vácuo aqui vale de verdade. Chegada 11h57, pausa cronometrada de 12 minutos: garrafas, eletrólitos, comida sólida rápida.
Portão: sair de St-Jean até 12h10, ou plano B.
Doze quilômetros a ~7%, ritmo exigido de ~580 m/h. Descida curta até Valloire (13h53): cafeína, 100 mg, sem parar o pedal.
Daqui em diante não há mais gordura no cronograma — só montanha e ar rarefeito.
Dezoito quilômetros desde Valloire, ~550 m/h na hora 8 de prova — além de qualquer coisa que a Michele já pedalou. Acima de 2.000 m o apetite some e a percepção dobra as bordas do mundo: gel a cada 30 minutos, mesmo sem fome. Principalmente sem fome.
Se o portão fechar aqui, vocês já estarão no lugar mais alto do Tour de France 2026, juntos. Há finais piores.
Descida longa pelo Lautaret a 30 km/h, fluida mas sem risco. Em Mizoën, pausa relâmpago de 8 minutos: sólido leve, mais 50 mg de cafeína, luzes conferidas — farol e traseira vermelha são obrigatórios nesta edição.
Resta um colosso. Depois do Galibier, não há mais portões: só execução.
Treze quilômetros selvagens, sem multidão, sem sombra, com 5.000 m já nas pernas — e o relógio pedindo ~520 m/h quando o corpo quiser dar 350. É a subida onde o contrarrelógio se ganha ou se perde de vez.
E então… a prova revela seu segredo.
Alpe d'Huez — o altar do ciclismo, os 21 hairpins, os nomes dos campeões pintados no asfalto — fica abaixo de vocês. A chegada é por cima: nove quilômetros descendo o balcão estreito da Sarenne, uma varanda de pedra suspensa sobre o vazio, até entrar na estação a 1.798 m.
O espaço se dobra: vocês terminam a subida mais famosa do mundo descendo, lado a lado. Chegada-alvo: 19h24 — trinta e seis minutos antes de a linha fechar.
A base aeróbica está afiada — 23,6 km/h com clima de prova.
424 m/h é o número que governa toda a matemática desta prova.
Mostra a queda natural de potência em dias longos: −11% após 4 h.
Largada 7h40 · pausas: St-Jean 12 min, Mizoën 8 min · portões = hora-limite para seguir no plano A
Esta é a planilha do que a prova exige — validada trecho a trecho de trás para frente, a partir do fechamento da linha às 20h00. Ela não é uma previsão: é um alvo.
O contrato honesto: o relógio pede 145–155 W sustentados nas subidas (~2,8 W/kg) — cerca de +40% acima dos 108–110 W dos treinos da Michele. Por isso os portões existem: eles transformam um plano improvável em um plano seguro. Perder um portão não é fracasso; é a senha para o plano B — pedalar juntos, no ritmo dela, até onde a montanha e as barreiras deixarem.
Antes da prova: confirmar no guia do participante os horários oficiais das 4 barreiras e a onda de largada (quanto mais cedo, maior a margem — as largadas vão de 6h30 a 8h30); taper completo na última semana; carga de carboidrato de 48h; farol e luz traseira obrigatórios e carregados.